06/10/2009
entrevista
TOSTÃO
O cronista mais admirado do país fala com a coerência e a sinceridade que o caracterizam desde os tempos de jogador
Por Fernando BH
A fala é mansa e o sotaque mineiro, inconfundível. Na conversa por telefone com Gol FC, nenhum barulho ao fundo. A serenidade é mesmo a marca de Tostão. Colunista de grandes jornais brasileiros, o doutor Eduardo Gonçalves de Andrade, 62 anos, diagnostica como poucos o nosso futebol. E, apesar de não gostar muito, também fala um pouco de sua gloriosa (e por vezes dramática) trajetória. Desnecessário desejar boa leitura quando o craque da palavra está em campo.
Por que você critica a importância que se dá hoje aos técnicos?
Que fique bem claro que eu os acho importantes, só que a imprensa supervaloriza. Uma substituição qualquer é responsável pela vitória do time. Às vezes a troca foi errada, mas o time acabou ganhando e dizem que foi mérito do treinador. A mesma coisa o contrário, quando perde e ele substitui bem. O futebol tem tantos detalhes para o pessoal se concentrar tanto no técnico... “O time do fulano”! Há um exagero na relação de imprensa e torcedor com o técnico.
O papel do manager não agrada a diretoria do São Paulo. Será difícil vermos Vanderlei Luxemburgo dirigindo o Tricolor?
Essa é uma grande qualidade do São Paulo. Um dos motivos de estar à frente dos outros. Lá, o técnico é somente técnico. Apesar de a imprensa continuar dizendo que ganha por causa do Muricy... Claro ele é bom, eficiente, conhece futebol, é sério, sabe organizar um time. Mas são coisas que todo bom técnico deveria fazer. O que não pode é achar que ganhou um jogo só porque mudou o Richarlyson dois metros pra esquerda ou pra direita.
E o que é aquela rispidez com a imprensa?
Ele não tem paciência de ficar respondendo a muitas perguntas sem sentido. Há outras que não responde porque acha que técnico não tem que dar explicações à imprensa. Aí, vai para as entrevistas mal-humorado. Dá a impressão de que não queria estar ali e tem um comportamento às vezes mal educado e agressivo. Mas há um pouco de extremismo nisso. Não é só o Muricy. Cada um tem seu estilo, mas eu noto que todos os técnicos, com algumas exceções, acham que não têm obrigação de dar explicações. Eles acham o nível das perguntas de alguns repórteres da cobertura diária ruim. Algumas vezes, eles têm razão.
Como seria o Tostão técnico?
Seria mais democrático, tentaria cativar as pessoas com a troca de informações e opiniões. Não gosto do personalismo, do extremismo, o fato de ser o grande chefe, todos obedecendo, o que é comum no Brasil. Muitos ex-jogadores não conseguem ser bons técnicos porque não conseguem passar de uma função para a outra. O Renato Gaúcho continua agindo como se fosse a estrela que era como jogador. Se eu fosse técnico, eu ia querer assistir lá de cima. Na primeira derrota do time, iriam falar que faltou comando lá embaixo (risos).
E o Dunga? Você já sugeriu que ele se demitisse...
Ele não deveria ter sido escolhido, por não ter experiência como técnico. Mas os resultados dele são bons e qualquer pessoa que entenda futebol pode ter bons resultados. Basta que seja uma pessoa bem informada. O Maradona, por exemplo. Todos o achavam a última pessoa capaz de ser treinador de futebol. Vi a Argentina jogar e o time é organizado em campo. O Dunga sabe como colocar um time em campo, é o que todo técnico deve saber. O fato de o Dunga ter resultados iguais aos que teria Parreira, Luxemburgo ou Muricy mostra que, mesmo que seja um técnico que não entenda nada de futebol, qualquer um que entrar ali vai ter o mesmo aproveitamento médio. O mais importante não é o técnico, ele é uma parte. O Brasil pode ser campeão do mundo com o Dunga. Mas quero enfatizar que não é a presença do técnico que vai fazer ganhar ou perder.
No caso do Maradona, a admiração dos jogadores argentinos pelo mito influencia em campo?
Pode ajudar, mas não sei dimensionar. Os jogadores o admiram, querem vê-lo bem, mas se a Argentina tiver sucesso, não vou achar que essa é a principal razão.
Por que o Pelé não é tão amado pelos brasileiros como o Maradona é pelos argentinos?
O Maradona encarna o que é o ser humano. Ele se expõe, mostra suas fraquezas. O Pelé é uma boa pessoa, claro, mas passou a vida toda querendo mostrar o que não é. E as pessoas percebem isso. Todos o reconhecem como maior jogador de todos os tempos, mas não têm muita admiração pela sua figura. O Pelé gosta muito de fazer média. Vai à Itália, faz média. Vai à França, faz média. No Brasil, fala outra coisa. O Maradona pode falar besteira, mas fala a mesma coisa em qualquer lugar do mundo.
Já virou lugar comum dizerem que o nível do futebol praticado no Brasil é baixo. Você concorda?
Pela saída de tantos jogadores e pelo fato de que os da Seleção, com raras exceções, estão na Europa, os jogos no Brasil são surpreendentemente bons. Bem disputados, emocionantes, os times taticamente organizados. Há um pouco de erro na comparação com a Europa. Fora uns oito times, os que sobram não são melhores do que os brasileiros. No Brasil, não há jogadores como Kaká, Xavi, Pirlo, Messi, mas há jogadores atuando aqui melhores do que muitos que estão em grandes clubes europeus. Acham tudo uma maravilha na Europa, e não é. É evidente que os melhores estão lá, mas quando se convoca uma Seleção e são chamados apenas um ou dois que atuam aqui, há mais uns quatro ou cinco no mesmo nível dos convocados da Europa. Por exemplo, temos vários goleiros aqui melhores do que o Doni.
O calendário do futebol brasileiro melhorou nos últimos anos. O que falta ser organizado nesse sentido para fortalecer os clubes?
Na verdade, melhorou porque estava um caos, um absurdo. A própria CBF chegou à conclusão de que teria que fazer alguma coisa, pois, mesmo com seus amigos políticos, Ricardo Teixeira não iria se manter no poder. Falta melhorar a estrutura dos estádios sem conforto, com gramados ruins, há a venda de ingressos desorganizada... A Copa do Brasil ser jogada pelos times que atuam na Libertadores e não se fazer Estaduais absurdos, com 20 times.
Mas acabar com os Estaduais não decretaria o fim dos pequenos clubes do Interior do país?
Os Estaduais não devem acabar, apenas serem mais curtos. Os clubes do Interior podem jogar em até cinco divisões do Campeonato Brasileiro. Os que tiverem competência e forem organizados vão subindo. E a Copa do Brasil pode passar para 128 times, aumentado apenas duas datas, incluindo mais uma fase entre os pequenos. Pode-se chegar a mil clubes! Não precisa aumentar o número de jogos dos grandes, apenas incluir fases preliminares entre os pequenos. Não há segredo nenhum.
Qual sua posição em relação à Copa de 2014?
Eu quero ver uma Copa do Mundo no Brasil desde que o dinheiro público seja gasto para trazer benefícios posteriores para a população. Que as melhorias sejam preservadas e não se invista dinheiro público reservado para assuntos mais urgentes. Assim, seria ótimo ter uma Copa. O penoso é que acontecem muitas coisas políticas, desperdício de dinheiro, como houve no Pan 2007. Disseram que o Pan era para o bem público, gastaram uma fortuna, mas não melhorou em nada a estrutura do Rio.
Com a África do Sul correndo contra o tempo e a incógnita brasileira, será difícil chegar ao nível da Alemanha 2006?
Não temos obrigação de fazer uma Copa moderna. É como uma pessoa sem recursos financeiros dar uma grande festa para impressionar. O Brasil tem que fazer uma coisa organizada, mas que não haja nada tão exuberante. E é um mito esse rigor da Fifa, de que tudo é perfeito. Na Alemanha, cansei de ver coisas que, se fossem no Brasil, todos iriam criticar. Estádios com problemas, centros de imprensa mal aparelhados. Em dois jogos da Seleção em Dortmund, havia jornalistas sentados no chão.
Quando você decidiu ser profissional, foi por perceber que seria diferenciado. Hoje, muito garoto acha que é diferenciado e não é...
É natural verem no futebol a chance de crescer na vida. Mesmo não tendo muito talento, o garoto acha que pode ganhar dinheiro e destaque. Se ilude com elogios antes da hora. Quando o Denílson estava prestes a ir para a Europa, eu o entrevistei. Ele disse que em pouco tempo seria o melhor jogador do mundo. Aí perguntei: ‘Mas você não acha que precisa aprender a cruzar melhor?’. Ele disse sim. ‘Chutar melhor?’. Sim. Outras perguntas, ele concordando. ‘Realmente, tenho que melhorar muito!’. Ele tinha uma habilidade extraordinária, mas não tinha vários fundamentos técnicos para ser um fora de série.
O Robinho vive falando que quer ser o melhor do mundo...
Se o Robinho tivesse consciência crítica de suas limitações, teria avançado mais. Ele é inteligente, muito melhor jogador do que o Denílson, nem se compara. Ainda tem uma grande chance de disputar o prêmio de melhor do mundo. Já o Kaká tem senso crítico, é um jogador que batalhou pelo que precisava melhorar, foi crescendo. Ele é uma exceção.
O que você espera do Ronaldo no Corinthians? (pergunta atual à época)
A expectativa é que ele jogue o que jogou no Milan, isto é, atuar de vez em quando e ter alguns momentos do grande Ronaldo que foi. Mas não dá para esperar dele regularidade, fazer muitos jogos no auge.
E, agora, mais perto da área.
Sim, em espaços mais curtos. O Romário se adaptou a isso, até não sair mais da área, tanto que jogou até os 40. Os mais jovens acham que o Romário foi sempre um centroavante. Ele era um espetáculo do meio para a frente. Tabelava, driblava.
Certa vez você disse que, na Copa de 1970, cederia sua camisa ao Romário...
Naquela posição de centroavante ele foi melhor do que eu. Não é falsa modéstia, é consciência. Ele foi o maior do mundo naquela posição. Ele e o Ronaldo.
A afirmação serve para o Fenômeno também?
Sim. Serve também para o Reinaldo, o Coutinho, o Careca... Todos centroavantes melhores do que eu, porque eu era mais meia do que atacante. Fazia muitos gols também. Mas meu forte era o passe. Jogava como joga hoje o Alex, como o jogou o Zico.
E o Zico foi melhor do que o Zidane, como foi recentemente eleito em uma enquete na TV?
Não acho, não. Zidane jogou mais. Eu até achava que o Ronaldinho Gaúcho iria se tornar melhor do que ele, pelo que jogou em dois anos no Barcelona. Mas o Zidane jogou muito durante dez, 15 anos. Eu vi Cruyff jogar, Platini, Zico, todos extraordinários. Mas, depois de Pelé e Maradona – e Garrincha, que é um caso à parte – o Zidane foi o melhor. Alguém pode dizer que o Zico foi mais objetivo, fez mais gols. Mas é cada um na sua função. O Zidane, como meio-campista, foi eficiente, fabuloso.
Na sua autobiografia, você afirma que a vida é curta e há necessidade de viver outras vidas (além de jogador, estudou e exerceu a medicina e hoje é cronista). Tostão tem mais algum sonho?
Dentro da minha vida, sempre desejo fazer coisas diferentes. Mas mudar de profissão, não tenho nenhum plano. De vez em quando recebo convites para voltar à TV, mas, por enquanto, estou tranquilo. Não sou de ficar correndo, fazendo muita coisa ao mesmo tempo. Prefiro fazer menos coisas e me dedicar mais a elas.
MAIS:
- O OLHO ESQUERDO
Como médico e observando os avanços da medicina, em relação ao problema que o tirou do futebol (descolamento da retina): se fosse hoje, você teria sobrevida no esporte?
Teria mais chances. As técnicas cirúrgicas são bem diferentes de 40 anos atrás.
Além do risco de sofrer nova lesão no olho, o que o impedia de jogar?
Eu perdi parte da visão do olho esquerdo. Para minha vida normal, não me atrapalha. Mas, como atleta, precisava dos dois olhos trabalhando juntos. O atleta precisa estar atento a certos detalhes. Se eu tivesse continuado, mesmo se eu quisesse, não seria o mesmo jogador, teria dificuldades, como tempo de bola. Eu não sentiria segurança.
- CRUZEIRO
Você saiu de forma conturbada do Cruzeiro, quando abriu mão dos 15% a que tinha direito. Qual sua relação, hoje, como clube e com a torcida?
Com o clube, nenhuma. E faço questão de não ter, pela minha função de cronista. Preciso ter toda a liberdade. Tenho que manter total independência. Alguns compreendem, outros não. Convidavam-me muito para eventos do Cruzeiro. Nem me chamam mais, porque sabem que não vou. Com a torcida a relação é muito boa. Me surpreendo até hoje. Onde vou, o torcedor cruzeirense me trata com carinho.
- CENTROAVANTE ARMADOR
Você impressionou em 1970 como “centroavante armador”. Como chegou a essa função?
Eu me inspirei no Evaldo, meu companheiro no Cruzeiro. Eu jogava mais atrás e o Evaldo era fora de série atuando como pivô. Quando joguei nas Eliminatórias, com o João Saldanha, eu jogava como no Cruzeiro. Já o Zagallo queria um centroavante mais próximo da área. Quando ele assumiu a Seleção, disse que eu seria reserva do Pelé, pois não imaginava que eu poderia jogar de centroavante. Não me esqueço o dia em que ele resolveu me colocar. Experimentou outros centroavantes que não foram bem – o Roberto e o Dario – e resolveu me testar. ‘Dá pra você jogar nessa posição? Não quero que fique recuando muito’. Eu disse: ‘Perfeitamente. Vou jogar como o Evaldo joga’. Individualmente, não era a posição que eu poderia render mais, mas para a Seleção foi importante.
03/09/2009
a fala dos colegas
Só não ponha a mãe no meio
Por Marcelo Ricciardi
Ao final o jogo entre Cruzeiro e Grêmio, pelas semifinais da Libertadores 2009, o argentino Maxi López foi detido pela polícia e teve de prestar depoimento na delegacia. O gremista foi acusado de racismo por ter usado o termo “mico” ou “macaco” em discussão com o volante Elicarlos, do Cruzeiro. Todo mundo aqui deve se lembrar do episódio envolvendo Desábato e Grafite, em 2005.
Não vou repetir o quanto o racismo é algo idiota, penso que a maioria já saiba, tomara! Por outro lado, sempre achei também que o que acontece em campo, morre no campo. No calor de uma partida, o emocional pesa. Portanto, quem xinga a mãe do adversário sabe que ela não cobra para fazer sexo, só quer desconcentrá-lo de alguma forma.
Existiria algum limite para a provocação? Na Europa, cogita-se até a perda de pontos para o clube cuja torcida faça provocações de teor racista. O problema é diferenciar quem merece ou não o mesmo tratamento. Pense nos homossexuais, por exemplo. Para alguns, é de uma escolha do indivíduo. Já outros acreditam em uma tendência natural, inata, como a cor da pele. Chamar de “viado”, sejam os jogadores ou a torcida é, em tese, tão ofensivo quanto de “macaco”. A ausência de punição para a homofobia atualmente refletiria a pouca representatividade que esse segmento ainda tem, ao menos em relação ao dilema dos negros.
Ok, como branco, é muito fácil para mim falar assim. Realmente, só quem sentiu na pele (sem trocadilhos) o preconceito sabe o quanto machuca. Já que ainda não fui vítima de discriminação assim, posso tocar no assunto com maior neutralidade, sem entrar muito no terreno traiçoeiro das emoções, sempre presentes no julgamento que cada um de nós faz. Não estou sendo racista ao levantar esse questionamento.
Porém, ao olhar as imagens do bate-boca, o cruzeirense Wagner, próximo ao lance, aponta para a parte de seu braço descoberta e diz algo como: “A pele (ou a cor) não”. O que nos faz voltar ao questionamento inicial: existem algumas feridas que não podem ser tocadas? Há algum tipo de código de ética próprio dos boleiros, do que se pode aceitar ou não?
E, se os níveis do aceitável podem mudar com o tempo, será que no futuro até chamar o Fenômeno de gordo vai ser intolerável? Alex Alves, ex-Cruzeiro, teve que ouvir todo tipo de palavrão e musiquinha a respeito de sua noiva, ex-namorada do mesmo Ronaldo, em jogo contra a Caldense. Imagine só o que veio dos marcadores. Seria correto acionar cada um por difamação e injúria? “Sou pistoleiro, mas não mato mulheres e crianças”...
02/09/2009
olha eu aqui
A Fer Moraes, da Casa {Midiática}, colocou o link deste blog na divulgação da oficina que vou ministrar pela Casa no dia 19 de setembro.
Isto é, tirou do limbo este espaço que andava ocioso desde que minha filha nasceu... Por mais que a gente imagine, o tempo com uma criança em casa passa voando e ela o consome todo. Mas que tempo delicioso.
Juro que ainda não desisti desta fala da bola.
Mas acho até que ia bancar o chato, porque a cobertura da imprensa tem irritado. Só falaram de Muricy na semana que antecedeu São Paulo x Palmeiras. Depois, ficou aquela lamentação coletiva pelo 0 a 0.
Bola pra frente. Até o próximo post, venha quando vier. Enquanto isso, navegue pelo que já postei, tem algumas coisas interessantes. Acho que logo posto a entrevista com o TOSTÃO que fiz para a revista Gol FC. Até.
24/06/2009
brasileirão 2009
Virou mania de cronista cravar se alguém vai dar certo ou não, palpitar quem ganha tal jogo, acertar escalação da Seleção. Estão todos bancando os videntes. Quando os jornalistas escrevem em primeira pessoa, estão mais preocupados em instigar torcedores e suas rivalidades do que analisar a situação em questão.
Por exemplo: colocar em xeque o sucesso de Ricardo Gomes no São Paulo. Deixem o homem trabalhar! Há tantos outros técnicos com mercado no Brasil que não ganham um título de expressão há algum tempo - que o digam Celso Roth, Leão e Dorival Junior. Se Ricardo Gomes só tem uma Copa da França e um Nordestão, pelo menos ainda tem muita estrada - ele tem 44 anos. O próprio Muricy foi ganhar seu primeiro Estadual aos 45 (o Pernambucano de 2001, pelo Náutico).
Deixando a incoerente demissão do Muricy de lado - deve haver muito mais motivos do que a eliminação na Libertadores - eu achei coerente a contratação do Ricardo Gomes, dentro da linha de que o São Paulo afirma seguir. Não cabe no CT da Barra Funda treinador corneteiro, folclórico, daqueles que falam de arbitragem em toda coletiva e que não ficam mais do que seis meses em cada clube. Gomes é da linhagem de boleiros diferenciados - intelectualmente falando - que inclui seus amigos Raí, Leonardo, além de Alex e Kaká.
Se eu fosse são-paulino, ficaria animado com o que disse o novo treinador em sua primeira coletiva. Postura o cara parece ter. Se saberá fazer o time jogar, aí só o tempo dirá. Mas estamos precisando de gente como ele nas coletivas, que pare de falar de arbitragem ou de cair em provocações.
Para finalizar, aí sim, aqui vale corneta, como eu escalaria o Tricolor no 4-4-2, que será o esquema que Ricardo Gomes irá implantar. Com três volantes e Dagoberto na ligação: Denis; Zé Luís, André Dias, Miranda e Junior César; Jean, Richarlyson, Hernanes e Dagoberto; Borges e Washington. Jorge Wagner é o 12º jogador. E o time não precisa contratar um quarto-zagueiro para suprir a saída de Miranda. Eu apostaria em Aislan. E você?
07/05/2009
brasileirão 2009
O cenário é animador: três dos quatro atacantes do Brasil na Copa de 2006 jogarão este ano no Campeonato Brasileiro. Ronaldo (COR), Adriano (FLA) e Fred (FLU). Tem mais: todos os times tem um craque (ou mais) pra chamar de seu. Quer ver?
Atlético Mineiro e seu artilheiro Diego Tardelli.
Atlético Paranaense: o He-Man Rafael Moura. Quem diria?
O Avaí e seu ídolo local, Evando.
Barueri pode ter Cafu. Já tem o ótimo goleiro Renê e o artilheiro Pedrão.
Botafogo e o surpreendente Maicosuel.
Corinthians? Hum... Fenomenal...
Coritiba e seus canhotos da Paraíba: Carlinhos e Marcelinho.
O Cruzeiro, além do cracaço Ramires, tem o Gladiador Kléber e um revigorado Athirson.
Há um Imperador chegando na Gávea. Se jogar o que jogou no São Paulo, já vale.
No Flu, Fred é candidato à artilharia.
Iarley, campeão do mundo pelo Inter, é o cara no Goiás.
Maxi López, do Grêmio, foi campeão da Liga dos Campeões (2005/06) ao lado do tricolor Ronaldinho Gaúcho.
No Internacional, a lista é imensa: Guiñazu, D´Alessandro, Nilmar...
Carlinhos Bala ainda tem fôlego pra correr pelo Náutico.
Palmeiras: Diego Souza, no atropelo; Keirrison, no faro de gol. Cleiton Xavier comendo pelas beiradas.
Marcelino Carioca não empresta apenas nome ao Santo André. Ainda chuta bem.
Neymar ainda precisa justificar a badalação no Santos. Kléber Pereira, se ficar, não.
Enquanto Rogério Ceni se recupera, Hernanes tem bola pra voltar a arrebentar. E Borges confere, sempre.
O Sport tem Paulo Baier, o artilheiro da era dos pontos corridos.
No Vitória, uma legião de ídolos que retornam: Apodi, Leandro Domingues e Nadson se juntam a Jackson e Ramon.
Vai ser bom demais!
27/03/2009
nas bancas
É a edição 8 de Gol FC, mas a primeira editada por mim. Tem boas exclusivas de Hernanes e Keirrison, os dois melhores jogadores em atividade no Brasil. Charge do Gustavo Duarte, que dispensa apresentações. Numa banca perto de você! (rs)
Destaco a entrevista que fiz com Tostão. Um privilégio e tanto.
A capa (sensacional) é de Wilson Monaco Jr.
13/03/2009
gols do fenômeno
O que Ronaldo fez em seus dois últimos jogos, qualquer bom atacante faz. Não houve nada de extraordinário.Extraorinário, fenomenal, é ele fazer isso estando fora de forma.
Só ele, Romário e mais uns poucos.
Foto: reprodução Abril.com
sumi, eu sei
O sumiço não é pela filhota (que completa um mês hoje). Ela é um anjo, dá pouco trabalho...
É que tenho trabalhado, em média, umas 11 horas por dia... Ralando por um desafio que me foi confiado no trampo. Logo fica pronto.
Por aqui, mesmo que esporadicamente, deixo uma notinha, que seja.
04/03/2009
jogo político em goiás
Atenção, isto não é uma afirmação, é uma pulga atrás da orelha: ou o Itumbiara é um clube de muita sorte ou o sorteio da Copa do Brasil teria dado uma mão zinha. Explico minha tese (só tese).
Receber o Corinthians em sua estréia na competição nacional, no ano do centenário da cidade, cujo prefeito banca o time, é prato cheio para subir ao palanque. Tanto que o Fenômeno já estava escalado a viajar a Goiás, mesmo que não tivesse condições de jogo. Duvide-o-dó que não vá posar ao lado de figuras políticas, receber homenagens, etc, etc...
Agora com a confirmação de que ficará no banco, a coisa saiu melhor do que a encomenda.
03/03/2009
brincalhão
"Beckham é melhor tecnicamente e taticamente do que Kaká". A afirmação é do técnico do Milan, Carlo Ancelotti. Lendo as entrelinhas, dá pra entender o que ele quis dizer - sobre a leitura de jogo do inglês e sua disciplina tática. Mas, em tempos de cargo ameaçado, poderia ter pressentido a repercussão que a frase traria...Se o ídolo gremista Renato Gaúcho já desponta como favorito à futura degola de Celso Roth, o mesmo acontece com Leonardo, pelos lados de Milão. Por enquanto, o negócio é esperar.
Foto: reprodução The Guardian
24/02/2009
crise na gávea
O bom início de ano, contra os nanicos do Rio, foi enganador para o Flamengo. Perder para o Resende ajudou o clube a cair na real. Por falar em real, estima-se que a falta de grana atrapalhou. Afinal, salários e luvas atrasados é fato comum na Gávea e por mais comprometidos que estivessem os jogadores, a motivação não está de bolso cheio... Ou o lateral Juan reclamaria da corrida de 40 minutos estivesse com os vencimentos em dia? (foto)Minha sugestão será ofensiva e humilhante para muitos torcedores, mas parece não ter outro jeito: os endividados têm que fazer um estágio com os clubes que pagam pontualmente. Aprender o que, em tese, não deveria ter segredo. Mas, se político honesto no Brasil é espécie em extinção, cartola competente idem.
Foto: reprodução GloboEsporte.com/Sportv
