6 de out. de 2009
entrevista
TOSTÃO
O cronista mais admirado do país fala com a coerência e a sinceridade que o caracterizam desde os tempos de jogador
Por Fernando BH
A fala é mansa e o sotaque mineiro, inconfundível. Na conversa por telefone com Gol FC, nenhum barulho ao fundo. A serenidade é mesmo a marca de Tostão. Colunista de grandes jornais brasileiros, o doutor Eduardo Gonçalves de Andrade, 62 anos, diagnostica como poucos o nosso futebol. E, apesar de não gostar muito, também fala um pouco de sua gloriosa (e por vezes dramática) trajetória. Desnecessário desejar boa leitura quando o craque da palavra está em campo.
Por que você critica a importância que se dá hoje aos técnicos?
Que fique bem claro que eu os acho importantes, só que a imprensa supervaloriza. Uma substituição qualquer é responsável pela vitória do time. Às vezes a troca foi errada, mas o time acabou ganhando e dizem que foi mérito do treinador. A mesma coisa o contrário, quando perde e ele substitui bem. O futebol tem tantos detalhes para o pessoal se concentrar tanto no técnico... “O time do fulano”! Há um exagero na relação de imprensa e torcedor com o técnico.
O papel do manager não agrada a diretoria do São Paulo. Será difícil vermos Vanderlei Luxemburgo dirigindo o Tricolor?
Essa é uma grande qualidade do São Paulo. Um dos motivos de estar à frente dos outros. Lá, o técnico é somente técnico. Apesar de a imprensa continuar dizendo que ganha por causa do Muricy... Claro ele é bom, eficiente, conhece futebol, é sério, sabe organizar um time. Mas são coisas que todo bom técnico deveria fazer. O que não pode é achar que ganhou um jogo só porque mudou o Richarlyson dois metros pra esquerda ou pra direita.
E o que é aquela rispidez com a imprensa?
Ele não tem paciência de ficar respondendo a muitas perguntas sem sentido. Há outras que não responde porque acha que técnico não tem que dar explicações à imprensa. Aí, vai para as entrevistas mal-humorado. Dá a impressão de que não queria estar ali e tem um comportamento às vezes mal educado e agressivo. Mas há um pouco de extremismo nisso. Não é só o Muricy. Cada um tem seu estilo, mas eu noto que todos os técnicos, com algumas exceções, acham que não têm obrigação de dar explicações. Eles acham o nível das perguntas de alguns repórteres da cobertura diária ruim. Algumas vezes, eles têm razão.
Como seria o Tostão técnico?
Seria mais democrático, tentaria cativar as pessoas com a troca de informações e opiniões. Não gosto do personalismo, do extremismo, o fato de ser o grande chefe, todos obedecendo, o que é comum no Brasil. Muitos ex-jogadores não conseguem ser bons técnicos porque não conseguem passar de uma função para a outra. O Renato Gaúcho continua agindo como se fosse a estrela que era como jogador. Se eu fosse técnico, eu ia querer assistir lá de cima. Na primeira derrota do time, iriam falar que faltou comando lá embaixo (risos).
E o Dunga? Você já sugeriu que ele se demitisse...
Ele não deveria ter sido escolhido, por não ter experiência como técnico. Mas os resultados dele são bons e qualquer pessoa que entenda futebol pode ter bons resultados. Basta que seja uma pessoa bem informada. O Maradona, por exemplo. Todos o achavam a última pessoa capaz de ser treinador de futebol. Vi a Argentina jogar e o time é organizado em campo. O Dunga sabe como colocar um time em campo, é o que todo técnico deve saber. O fato de o Dunga ter resultados iguais aos que teria Parreira, Luxemburgo ou Muricy mostra que, mesmo que seja um técnico que não entenda nada de futebol, qualquer um que entrar ali vai ter o mesmo aproveitamento médio. O mais importante não é o técnico, ele é uma parte. O Brasil pode ser campeão do mundo com o Dunga. Mas quero enfatizar que não é a presença do técnico que vai fazer ganhar ou perder.
No caso do Maradona, a admiração dos jogadores argentinos pelo mito influencia em campo?
Pode ajudar, mas não sei dimensionar. Os jogadores o admiram, querem vê-lo bem, mas se a Argentina tiver sucesso, não vou achar que essa é a principal razão.
Por que o Pelé não é tão amado pelos brasileiros como o Maradona é pelos argentinos?
O Maradona encarna o que é o ser humano. Ele se expõe, mostra suas fraquezas. O Pelé é uma boa pessoa, claro, mas passou a vida toda querendo mostrar o que não é. E as pessoas percebem isso. Todos o reconhecem como maior jogador de todos os tempos, mas não têm muita admiração pela sua figura. O Pelé gosta muito de fazer média. Vai à Itália, faz média. Vai à França, faz média. No Brasil, fala outra coisa. O Maradona pode falar besteira, mas fala a mesma coisa em qualquer lugar do mundo.
Já virou lugar comum dizerem que o nível do futebol praticado no Brasil é baixo. Você concorda?
Pela saída de tantos jogadores e pelo fato de que os da Seleção, com raras exceções, estão na Europa, os jogos no Brasil são surpreendentemente bons. Bem disputados, emocionantes, os times taticamente organizados. Há um pouco de erro na comparação com a Europa. Fora uns oito times, os que sobram não são melhores do que os brasileiros. No Brasil, não há jogadores como Kaká, Xavi, Pirlo, Messi, mas há jogadores atuando aqui melhores do que muitos que estão em grandes clubes europeus. Acham tudo uma maravilha na Europa, e não é. É evidente que os melhores estão lá, mas quando se convoca uma Seleção e são chamados apenas um ou dois que atuam aqui, há mais uns quatro ou cinco no mesmo nível dos convocados da Europa. Por exemplo, temos vários goleiros aqui melhores do que o Doni.
O calendário do futebol brasileiro melhorou nos últimos anos. O que falta ser organizado nesse sentido para fortalecer os clubes?
Na verdade, melhorou porque estava um caos, um absurdo. A própria CBF chegou à conclusão de que teria que fazer alguma coisa, pois, mesmo com seus amigos políticos, Ricardo Teixeira não iria se manter no poder. Falta melhorar a estrutura dos estádios sem conforto, com gramados ruins, há a venda de ingressos desorganizada... A Copa do Brasil ser jogada pelos times que atuam na Libertadores e não se fazer Estaduais absurdos, com 20 times.
Mas acabar com os Estaduais não decretaria o fim dos pequenos clubes do Interior do país?
Os Estaduais não devem acabar, apenas serem mais curtos. Os clubes do Interior podem jogar em até cinco divisões do Campeonato Brasileiro. Os que tiverem competência e forem organizados vão subindo. E a Copa do Brasil pode passar para 128 times, aumentado apenas duas datas, incluindo mais uma fase entre os pequenos. Pode-se chegar a mil clubes! Não precisa aumentar o número de jogos dos grandes, apenas incluir fases preliminares entre os pequenos. Não há segredo nenhum.
Qual sua posição em relação à Copa de 2014?
Eu quero ver uma Copa do Mundo no Brasil desde que o dinheiro público seja gasto para trazer benefícios posteriores para a população. Que as melhorias sejam preservadas e não se invista dinheiro público reservado para assuntos mais urgentes. Assim, seria ótimo ter uma Copa. O penoso é que acontecem muitas coisas políticas, desperdício de dinheiro, como houve no Pan 2007. Disseram que o Pan era para o bem público, gastaram uma fortuna, mas não melhorou em nada a estrutura do Rio.
Com a África do Sul correndo contra o tempo e a incógnita brasileira, será difícil chegar ao nível da Alemanha 2006?
Não temos obrigação de fazer uma Copa moderna. É como uma pessoa sem recursos financeiros dar uma grande festa para impressionar. O Brasil tem que fazer uma coisa organizada, mas que não haja nada tão exuberante. E é um mito esse rigor da Fifa, de que tudo é perfeito. Na Alemanha, cansei de ver coisas que, se fossem no Brasil, todos iriam criticar. Estádios com problemas, centros de imprensa mal aparelhados. Em dois jogos da Seleção em Dortmund, havia jornalistas sentados no chão.
Quando você decidiu ser profissional, foi por perceber que seria diferenciado. Hoje, muito garoto acha que é diferenciado e não é...
É natural verem no futebol a chance de crescer na vida. Mesmo não tendo muito talento, o garoto acha que pode ganhar dinheiro e destaque. Se ilude com elogios antes da hora. Quando o Denílson estava prestes a ir para a Europa, eu o entrevistei. Ele disse que em pouco tempo seria o melhor jogador do mundo. Aí perguntei: ‘Mas você não acha que precisa aprender a cruzar melhor?’. Ele disse sim. ‘Chutar melhor?’. Sim. Outras perguntas, ele concordando. ‘Realmente, tenho que melhorar muito!’. Ele tinha uma habilidade extraordinária, mas não tinha vários fundamentos técnicos para ser um fora de série.
O Robinho vive falando que quer ser o melhor do mundo...
Se o Robinho tivesse consciência crítica de suas limitações, teria avançado mais. Ele é inteligente, muito melhor jogador do que o Denílson, nem se compara. Ainda tem uma grande chance de disputar o prêmio de melhor do mundo. Já o Kaká tem senso crítico, é um jogador que batalhou pelo que precisava melhorar, foi crescendo. Ele é uma exceção.
O que você espera do Ronaldo no Corinthians? (pergunta atual à época)
A expectativa é que ele jogue o que jogou no Milan, isto é, atuar de vez em quando e ter alguns momentos do grande Ronaldo que foi. Mas não dá para esperar dele regularidade, fazer muitos jogos no auge.
E, agora, mais perto da área.
Sim, em espaços mais curtos. O Romário se adaptou a isso, até não sair mais da área, tanto que jogou até os 40. Os mais jovens acham que o Romário foi sempre um centroavante. Ele era um espetáculo do meio para a frente. Tabelava, driblava.
Certa vez você disse que, na Copa de 1970, cederia sua camisa ao Romário...
Naquela posição de centroavante ele foi melhor do que eu. Não é falsa modéstia, é consciência. Ele foi o maior do mundo naquela posição. Ele e o Ronaldo.
A afirmação serve para o Fenômeno também?
Sim. Serve também para o Reinaldo, o Coutinho, o Careca... Todos centroavantes melhores do que eu, porque eu era mais meia do que atacante. Fazia muitos gols também. Mas meu forte era o passe. Jogava como joga hoje o Alex, como o jogou o Zico.
E o Zico foi melhor do que o Zidane, como foi recentemente eleito em uma enquete na TV?
Não acho, não. Zidane jogou mais. Eu até achava que o Ronaldinho Gaúcho iria se tornar melhor do que ele, pelo que jogou em dois anos no Barcelona. Mas o Zidane jogou muito durante dez, 15 anos. Eu vi Cruyff jogar, Platini, Zico, todos extraordinários. Mas, depois de Pelé e Maradona – e Garrincha, que é um caso à parte – o Zidane foi o melhor. Alguém pode dizer que o Zico foi mais objetivo, fez mais gols. Mas é cada um na sua função. O Zidane, como meio-campista, foi eficiente, fabuloso.
Na sua autobiografia, você afirma que a vida é curta e há necessidade de viver outras vidas (além de jogador, estudou e exerceu a medicina e hoje é cronista). Tostão tem mais algum sonho?
Dentro da minha vida, sempre desejo fazer coisas diferentes. Mas mudar de profissão, não tenho nenhum plano. De vez em quando recebo convites para voltar à TV, mas, por enquanto, estou tranquilo. Não sou de ficar correndo, fazendo muita coisa ao mesmo tempo. Prefiro fazer menos coisas e me dedicar mais a elas.
MAIS:
- O OLHO ESQUERDO
Como médico e observando os avanços da medicina, em relação ao problema que o tirou do futebol (descolamento da retina): se fosse hoje, você teria sobrevida no esporte?
Teria mais chances. As técnicas cirúrgicas são bem diferentes de 40 anos atrás.
Além do risco de sofrer nova lesão no olho, o que o impedia de jogar?
Eu perdi parte da visão do olho esquerdo. Para minha vida normal, não me atrapalha. Mas, como atleta, precisava dos dois olhos trabalhando juntos. O atleta precisa estar atento a certos detalhes. Se eu tivesse continuado, mesmo se eu quisesse, não seria o mesmo jogador, teria dificuldades, como tempo de bola. Eu não sentiria segurança.
- CRUZEIRO
Você saiu de forma conturbada do Cruzeiro, quando abriu mão dos 15% a que tinha direito. Qual sua relação, hoje, como clube e com a torcida?
Com o clube, nenhuma. E faço questão de não ter, pela minha função de cronista. Preciso ter toda a liberdade. Tenho que manter total independência. Alguns compreendem, outros não. Convidavam-me muito para eventos do Cruzeiro. Nem me chamam mais, porque sabem que não vou. Com a torcida a relação é muito boa. Me surpreendo até hoje. Onde vou, o torcedor cruzeirense me trata com carinho.
- CENTROAVANTE ARMADOR
Você impressionou em 1970 como “centroavante armador”. Como chegou a essa função?
Eu me inspirei no Evaldo, meu companheiro no Cruzeiro. Eu jogava mais atrás e o Evaldo era fora de série atuando como pivô. Quando joguei nas Eliminatórias, com o João Saldanha, eu jogava como no Cruzeiro. Já o Zagallo queria um centroavante mais próximo da área. Quando ele assumiu a Seleção, disse que eu seria reserva do Pelé, pois não imaginava que eu poderia jogar de centroavante. Não me esqueço o dia em que ele resolveu me colocar. Experimentou outros centroavantes que não foram bem – o Roberto e o Dario – e resolveu me testar. ‘Dá pra você jogar nessa posição? Não quero que fique recuando muito’. Eu disse: ‘Perfeitamente. Vou jogar como o Evaldo joga’. Individualmente, não era a posição que eu poderia render mais, mas para a Seleção foi importante.
3 de set. de 2009
a fala dos colegas
Só não ponha a mãe no meio
Por Marcelo Ricciardi
Ao final o jogo entre Cruzeiro e Grêmio, pelas semifinais da Libertadores 2009, o argentino Maxi López foi detido pela polícia e teve de prestar depoimento na delegacia. O gremista foi acusado de racismo por ter usado o termo “mico” ou “macaco” em discussão com o volante Elicarlos, do Cruzeiro. Todo mundo aqui deve se lembrar do episódio envolvendo Desábato e Grafite, em 2005.
Não vou repetir o quanto o racismo é algo idiota, penso que a maioria já saiba, tomara! Por outro lado, sempre achei também que o que acontece em campo, morre no campo. No calor de uma partida, o emocional pesa. Portanto, quem xinga a mãe do adversário sabe que ela não cobra para fazer sexo, só quer desconcentrá-lo de alguma forma.
Existiria algum limite para a provocação? Na Europa, cogita-se até a perda de pontos para o clube cuja torcida faça provocações de teor racista. O problema é diferenciar quem merece ou não o mesmo tratamento. Pense nos homossexuais, por exemplo. Para alguns, é de uma escolha do indivíduo. Já outros acreditam em uma tendência natural, inata, como a cor da pele. Chamar de “viado”, sejam os jogadores ou a torcida é, em tese, tão ofensivo quanto de “macaco”. A ausência de punição para a homofobia atualmente refletiria a pouca representatividade que esse segmento ainda tem, ao menos em relação ao dilema dos negros.
Ok, como branco, é muito fácil para mim falar assim. Realmente, só quem sentiu na pele (sem trocadilhos) o preconceito sabe o quanto machuca. Já que ainda não fui vítima de discriminação assim, posso tocar no assunto com maior neutralidade, sem entrar muito no terreno traiçoeiro das emoções, sempre presentes no julgamento que cada um de nós faz. Não estou sendo racista ao levantar esse questionamento.
Porém, ao olhar as imagens do bate-boca, o cruzeirense Wagner, próximo ao lance, aponta para a parte de seu braço descoberta e diz algo como: “A pele (ou a cor) não”. O que nos faz voltar ao questionamento inicial: existem algumas feridas que não podem ser tocadas? Há algum tipo de código de ética próprio dos boleiros, do que se pode aceitar ou não?
E, se os níveis do aceitável podem mudar com o tempo, será que no futuro até chamar o Fenômeno de gordo vai ser intolerável? Alex Alves, ex-Cruzeiro, teve que ouvir todo tipo de palavrão e musiquinha a respeito de sua noiva, ex-namorada do mesmo Ronaldo, em jogo contra a Caldense. Imagine só o que veio dos marcadores. Seria correto acionar cada um por difamação e injúria? “Sou pistoleiro, mas não mato mulheres e crianças”...
2 de set. de 2009
olha eu aqui
A Fer Moraes, da Casa {Midiática}, colocou o link deste blog na divulgação da oficina que vou ministrar pela Casa no dia 19 de setembro.
Isto é, tirou do limbo este espaço que andava ocioso desde que minha filha nasceu... Por mais que a gente imagine, o tempo com uma criança em casa passa voando e ela o consome todo. Mas que tempo delicioso.
Juro que ainda não desisti desta fala da bola.
Mas acho até que ia bancar o chato, porque a cobertura da imprensa tem irritado. Só falaram de Muricy na semana que antecedeu São Paulo x Palmeiras. Depois, ficou aquela lamentação coletiva pelo 0 a 0.
Bola pra frente. Até o próximo post, venha quando vier. Enquanto isso, navegue pelo que já postei, tem algumas coisas interessantes. Acho que logo posto a entrevista com o TOSTÃO que fiz para a revista Gol FC. Até.
24 de jun. de 2009
brasileirão 2009
Virou mania de cronista cravar se alguém vai dar certo ou não, palpitar quem ganha tal jogo, acertar escalação da Seleção. Estão todos bancando os videntes. Quando os jornalistas escrevem em primeira pessoa, estão mais preocupados em instigar torcedores e suas rivalidades do que analisar a situação em questão.
Por exemplo: colocar em xeque o sucesso de Ricardo Gomes no São Paulo. Deixem o homem trabalhar! Há tantos outros técnicos com mercado no Brasil que não ganham um título de expressão há algum tempo - que o digam Celso Roth, Leão e Dorival Junior. Se Ricardo Gomes só tem uma Copa da França e um Nordestão, pelo menos ainda tem muita estrada - ele tem 44 anos. O próprio Muricy foi ganhar seu primeiro Estadual aos 45 (o Pernambucano de 2001, pelo Náutico).
Deixando a incoerente demissão do Muricy de lado - deve haver muito mais motivos do que a eliminação na Libertadores - eu achei coerente a contratação do Ricardo Gomes, dentro da linha de que o São Paulo afirma seguir. Não cabe no CT da Barra Funda treinador corneteiro, folclórico, daqueles que falam de arbitragem em toda coletiva e que não ficam mais do que seis meses em cada clube. Gomes é da linhagem de boleiros diferenciados - intelectualmente falando - que inclui seus amigos Raí, Leonardo, além de Alex e Kaká.
Se eu fosse são-paulino, ficaria animado com o que disse o novo treinador em sua primeira coletiva. Postura o cara parece ter. Se saberá fazer o time jogar, aí só o tempo dirá. Mas estamos precisando de gente como ele nas coletivas, que pare de falar de arbitragem ou de cair em provocações.
Para finalizar, aí sim, aqui vale corneta, como eu escalaria o Tricolor no 4-4-2, que será o esquema que Ricardo Gomes irá implantar. Com três volantes e Dagoberto na ligação: Denis; Zé Luís, André Dias, Miranda e Junior César; Jean, Richarlyson, Hernanes e Dagoberto; Borges e Washington. Jorge Wagner é o 12º jogador. E o time não precisa contratar um quarto-zagueiro para suprir a saída de Miranda. Eu apostaria em Aislan. E você?
7 de mai. de 2009
brasileirão 2009
O cenário é animador: três dos quatro atacantes do Brasil na Copa de 2006 jogarão este ano no Campeonato Brasileiro. Ronaldo (COR), Adriano (FLA) e Fred (FLU). Tem mais: todos os times tem um craque (ou mais) pra chamar de seu. Quer ver?
Atlético Mineiro e seu artilheiro Diego Tardelli.
Atlético Paranaense: o He-Man Rafael Moura. Quem diria?
O Avaí e seu ídolo local, Evando.
Barueri pode ter Cafu. Já tem o ótimo goleiro Renê e o artilheiro Pedrão.
Botafogo e o surpreendente Maicosuel.
Corinthians? Hum... Fenomenal...
Coritiba e seus canhotos da Paraíba: Carlinhos e Marcelinho.
O Cruzeiro, além do cracaço Ramires, tem o Gladiador Kléber e um revigorado Athirson.
Há um Imperador chegando na Gávea. Se jogar o que jogou no São Paulo, já vale.
No Flu, Fred é candidato à artilharia.
Iarley, campeão do mundo pelo Inter, é o cara no Goiás.
Maxi López, do Grêmio, foi campeão da Liga dos Campeões (2005/06) ao lado do tricolor Ronaldinho Gaúcho.
No Internacional, a lista é imensa: Guiñazu, D´Alessandro, Nilmar...
Carlinhos Bala ainda tem fôlego pra correr pelo Náutico.
Palmeiras: Diego Souza, no atropelo; Keirrison, no faro de gol. Cleiton Xavier comendo pelas beiradas.
Marcelino Carioca não empresta apenas nome ao Santo André. Ainda chuta bem.
Neymar ainda precisa justificar a badalação no Santos. Kléber Pereira, se ficar, não.
Enquanto Rogério Ceni se recupera, Hernanes tem bola pra voltar a arrebentar. E Borges confere, sempre.
O Sport tem Paulo Baier, o artilheiro da era dos pontos corridos.
No Vitória, uma legião de ídolos que retornam: Apodi, Leandro Domingues e Nadson se juntam a Jackson e Ramon.
Vai ser bom demais!
27 de mar. de 2009
nas bancas
É a edição 8 de Gol FC, mas a primeira editada por mim. Tem boas exclusivas de Hernanes e Keirrison, os dois melhores jogadores em atividade no Brasil. Charge do Gustavo Duarte, que dispensa apresentações. Numa banca perto de você! (rs)
Destaco a entrevista que fiz com Tostão. Um privilégio e tanto.
A capa (sensacional) é de Wilson Monaco Jr.

13 de mar. de 2009
gols do fenômeno

Extraorinário, fenomenal, é ele fazer isso estando fora de forma.
Só ele, Romário e mais uns poucos.
Foto: reprodução Abril.com
sumi, eu sei
O sumiço não é pela filhota (que completa um mês hoje). Ela é um anjo, dá pouco trabalho...
É que tenho trabalhado, em média, umas 11 horas por dia... Ralando por um desafio que me foi confiado no trampo. Logo fica pronto.
Por aqui, mesmo que esporadicamente, deixo uma notinha, que seja.
4 de mar. de 2009
jogo político em goiás
Atenção, isto não é uma afirmação, é uma pulga atrás da orelha: ou o Itumbiara é um clube de muita sorte ou o sorteio da Copa do Brasil teria dado uma mão zinha. Explico minha tese (só tese).
Receber o Corinthians em sua estréia na competição nacional, no ano do centenário da cidade, cujo prefeito banca o time, é prato cheio para subir ao palanque. Tanto que o Fenômeno já estava escalado a viajar a Goiás, mesmo que não tivesse condições de jogo. Duvide-o-dó que não vá posar ao lado de figuras políticas, receber homenagens, etc, etc...
Agora com a confirmação de que ficará no banco, a coisa saiu melhor do que a encomenda.
3 de mar. de 2009
brincalhão

Se o ídolo gremista Renato Gaúcho já desponta como favorito à futura degola de Celso Roth, o mesmo acontece com Leonardo, pelos lados de Milão. Por enquanto, o negócio é esperar.
Foto: reprodução The Guardian
24 de fev. de 2009
crise na gávea

Minha sugestão será ofensiva e humilhante para muitos torcedores, mas parece não ter outro jeito: os endividados têm que fazer um estágio com os clubes que pagam pontualmente. Aprender o que, em tese, não deveria ter segredo. Mas, se político honesto no Brasil é espécie em extinção, cartola competente idem.
Foto: reprodução GloboEsporte.com/Sportv
21 de fev. de 2009
carnaval

Assisti de rabo de olho o jogo do Corinthians. Souza continua devendo, assim como Douglas. E os dois gols de Elias só comprovam que ele é o cara da meiuca alvinegra.
Barueri e São Paulo vi na íntegra e enquanto digito ouço a coletiva de Muricy Ramalho. O rodízio do treinador tem dado trevo nos adversários, nos cronistas e até nos jogadores! Jorge Wagner entrou e resolveu o jogo. É intocável no time, como Ceni, André Dias, Miranda, Jean, Hernanes e Borges. O resto tem que pedalar.
E o Flamengo... Não vi o jogo, claro, estou em outro Estado e não tenho PFC. Mas imagino que tenha sido aquele tipo de partida que, quando o clube grande acordou, já era. O Rubro-Negro terá que ralar na Taça Rio para brigar pelo penta-tri.
Foto: Divulgação Vipcomm
20 de fev. de 2009
ana do papai
Não no ritmo desejado, talvez sem fotos e fotomontagens no início, mas com o coração cheio de entusiasmo.
Pra (re)começar:
- a licença paternidade me poupou de comentar a violência no Morumbi. O tema torcida organizada me irrita. Não gosto de falar de um cara de gorro que pula o jogo inteiro, mas nem sabe a escalação do time. É claro que estou generalizando, mas esse estereótipo existe aos montes nos estádios brasileiros.
- apesar de a LDU ser encardida, Palmeiras e Sport vão adiante no Grupo 1 da Libertadores. O Leão da Ilha será como o Goiás de 2006, encantará na primeira fase e sucumbirá no mata-mata.
- o único erro permitido a Roberto Dinamite na presidência do Vasco era a inexperiência - como exemplo a ingenuidade de escalar jogador não publicado no BID. Mas suspeita de corrupção?!
- verdade seja dita: Rogério Ceni faz mais falta ao São Paulo hoje pela liderança, não pelo futebol. Ele continua excelente, mas Bosco é seguro e Jorge Wagner arrebenta na bola parada.
12 de fev. de 2009
pausa pra ser feliz
O afastamento temporário é mais do que justificável. Minha filha nasce nesta sexta-feira. Tenho me esforçado para manter o blog atualizado e talvez por isso eu tenha conseguido manter a média de 20 visitas por dia - uma merreca no mundo virtual, mas cada leitor é único e especial.
Volto já.
11 de fev. de 2009
novo uniforme do grêmio

Estiloso, o Tricolor, para brigar pela América.
Em tempo: não havia comentado os uniformes de Inter e Cruzeiro - iguais, por sinal, só mudando de cor. A Reebok mandou bem na limpeza dos modelos e o número no peito ficou bacana. Enquanto isso, o Flamengo continua malvestido de Fred Krueger.
Foto: divulgação
10 de fev. de 2009
ah, dunga!

Não gostei da escalação de Felipe Melo, algo exagerado quando sabemos que Lucas também atua no futebol europeu. Mas Elano é mérito todo de Dunga. É titular de quase todo o 'mandato' do treinador e vem correspondendo. Joga solto, feliz, determinado. Robinho, o outro ícone dessa era, só ficou fora de um jogo. É titular absoluto e merece a confiança.
Sobre Felipão, fico com o colega Cosme Rímoli. Em seu blog no Uol, fez ótima conjectura sobre o afastamento de Scolari e Ricardo Teixeira.
Aproveitando: de olho no jogo, no trabalho, surgiu a discussão pró e contra Robinho. Uns o acham bad boy, inconstante. Outros, como eu, aplaudem a arte, a molecagem. Ele não frequenta minha casa, pouco me interessa sua vida extracampo. Para evitar contradição, lembro que há dias postei que ele precisa se cuidar para não deixar os polêmicos tabloides ingleses destruírem sua carreira. Isto é, para continuar fazendo jogadas como as de hoje. E o que foi aquela tabela com o Ronaldinho?! Viva o futebol brasileiro!!!
Foto: reprodução GloboEsporte.com (EFE)
bye, bye, phill

Cronistas já especulam a dificuldade da língua como grande empecilho no trabalho de Felipão, reconhecidamente bom de papo para formar suas "famílias". De qualquer forma, foi pioneiro na Inglaterra e tem mercado na Europa. Dificilmente volta ao Brasil nesse momento, ainda mais com o padrão salarial que alcançou (vide indenização).
Numa dessas, Zico, que não se acanha em contar com tradutores, levou o Japão a uma Copa do Mundo, classificou os turcos do Fenerbahçe para as quartas-de-final de uma Champions, ganhou títulos inéditos no Uzbequistão e hoje está no maior clube russo. Comendo pelas beiradas do Velho Mundo, o Galinho vai subindo degraus.
Foto: reprodução Daily Mirror
9 de fev. de 2009
constatações
Algumas rodadas depois, já dá para comemorar bons nomes do início da temporada. Uns repetindo o ótimo 2008, outros se recuperando, outros, ainda, surpreendendo:
HERNANES: é o melhor jogador em atividade no Brasil. No nível dele, na meiuca, Ramires também continua jogando o fino. E está cheio de personalidade. Perguntado se o gol no Botafogo-SP foi o mais bonito de sua carreira, disse que "por enquanto é". Mandou bem.
RICHARLYSON: se jogar o arroz-com-feijão desse início de temporada, não há como Muricy tirá-lo do time titular. Tem impulsão impressionante para cortar de cabeça os lançamentos pelo alto, é bom marcador e recuperou a qualidade no passe. Excelente volante pela esquerda, melhor ainda como terceiro zagueiro. Só não pode atuar na ala.
VICTOR SIMÕES: gosto muito de ver centroavante canhoto. E que canhota! Todos esperam que Reinaldo arrebente e é o camisa 9 no Fogão que balança as redes. De muito vigor físico, pode ser uma das gratas surpresas de 2009.
PALMEIRAS: para os que desconfiam que Luxemburgo tem ciúme da badalação sobre Muricy, parece que ele está dando a resposta. Afinal, todas as contratações, que se encaixaram perfeitamente no time, têm seu envolvimento. O Verdão está jogando fácil, veloz. Marquinhos corre mais que Kléber Gladiador. Pablo Armero ganha fácil de Leandro na corrida. A versão 2009 trucidaria o campeão paulista de 2008. Principalmente porque tem Keirrison.
7 de fev. de 2009
dupla ro-ro


Fotomontagem: reprodução Globo.Esporte.com
4 de fev. de 2009
rabugento

Eu o entendo. Melhor treinador do Brasil hoje, está num nível de compreensão do que o cerca que sabe que nós da imprensa esportiva seguimos um ritual cíclico. Ganha, é exaltado. Ele, especialmente, foi o xodó em dezembro e aproveitou-se da superexposição. Repetiu todas as respostas das entrevistas do penta, um ano depois, e todos publicamos como se fosse inédito. "Aqui é trabalho, meu filho", "Jogador do São Paulo não precisa de motivação, mas de cobrança", e por aí vai...
Entendo, mas não aprovo. Se Muricy sabe jogar o jogo da imprensa na alegria, deveria saber na tristeza também. Da mesma forma que é exaltado na vitória, precisa explicar a derrota, por mais óbvia que ela seja - isto é, um time jogou melhor do que o outro. Um torcedor do São Paulo não consegue enxergar que o pequeno Santo André jogou melhor - nunca enxergará. Se ele diz que jogador de time grande precisa saber lidar com pressão (porque ganha bem, come bem, tem estrutura), tanto mais seu treinador.
Foto: Wander Roberto/Vipcomm
2 de fev. de 2009
craque 90: renato gaúcho

No mesmo ano, ganhou a Copa do Brasil pelo Fla, ao lado do amigo Gaúcho - em uma das fotos ao lado, já jogador do Botafogo. No Alvinegro, chegou como supercraque, mas saiu pela porta dos fundos, com fama de rubro-negro, e foi para o Cruzeiro.
Ao contrário do ponta veloz e diblador do início da carreira, Renato aprendia a jogar mais perto do gol. Dessa forma, brilhou no time celeste na conquista da Supercopa da Libertadores 1992, em saudosa formação ofensiva com Boiadeiro, Betinho e Roberto Gaúcho - um dos melhores times que já vi jogar.

De volta à Gávea, outro timaço: com Gilmar Rinaldi, Marcelinho Carioca e Casagrande, perdeu a Supercopa para o São Paulo nos pênaltis. A exemplo de sua chegada no Botafogo, desembarcou no Atlético-MG, em 1994, como galático. E não só ele. Com os zagueiros Adílson Batista e Kanapkis (seleção do Uruguai), os meias Darci e Neto e ponta Éder Aleixo, formava a 'SeleGalo'. Frustração total: o Cruzeiro do menino Ronaldo ganhou o Estadual.
Aí, veio a redenção, novamente, no Rio. Pelo Flu, o famoso gol de barriga. O fim da fila de nove anos do Tricolor carioca, que renovou com Renato depois de ele posar com a camisa do São Paulo, em 1996.
O fim da carreira, claro, para terminar a década como começou, no Flamengo. De ponta a ponta. Na reserva, entrava e fazia uns golzinhos. Pesadão, divertia-se em apostas com Romário no futevôlei dos treinamentos. Ainda ameaçou uma volta ao Bangu, sem sucesso.
Para quem não viu - e não gosta do jeito falastrão do hoje treinador - ele podia se gabar como jogador. Conhecia o ofício.
Imagens: reprodução
1 de fev. de 2009
copa 2014

Detalhe: acho que é o primeiro Mundial da história que construirá tão poucos estádios.
E ao contrário do que afirmou o presidente da CBF, o dinheiro público vai jorrar na organização. Que seja gasto com racionalidade e traga benefícios pós-Copa. Será que é querer demais?
Imagem: reprodução GloboEsporte.com
29 de jan. de 2009
resenha

Comprei. Assisti. A exemplo do filme Pelé Eterno, está longe de estar à altura do personagem em questão, mas vale como documento, ficará bem guardado para relembrar tanto talento daqui alguns anos. O DVD Romário É Gol (Olhar Carioca Filmes, direção de Sidnei Loureiro Jr) reúne mais de 850 gols da carreira de Romário, divididos em blocos pelos clube em que atuou (Valencia-ESP, Miami-EUS, Sydney-AUS e jogos festivos reunidos em 'Outros'). O preço é acessível (paguei R$ 12,90 no Submarino, fora o frete), mas a divulgação tem sido pequena.
Como eu prefiro ouvir a má notícia antes da boa, vamos, primeiro, aos pontos negativos do DVD:
• parece que os gols foram tirados do You Tube, pois a qualidade da imagem da grande maioria deles é muito ruim. Chega a ser tosco 'embaçar' os selos do Sportv no canto da tela.
• a apresentação dos gols fica por conta do filho, Romarinho, e até me surpreendeu, pensei que seria pior. Mas ganharia muito mais credibilidade e dinamismo se feita por alguém do ramo.
• a ideia de trazer convidados (Eri Johnson, Gabriel Pensador, Evandro Mesquita) foi ótima, os caras mandaram bem, mas o texto era fraquinho...
Pontos positivos:

• a participação do parceiro Bebeto, de uma postura sensacional em mostrar seu carinho a Romário, enaltecer seu talento, mas sem esquecer de citar suas próprias virtudes na dupla. Faltou a sensibilidade dos idealizadores de filmar um bate-papo dos dois, finalizado por um abraço.
• apesar da má qualidade das imagens, a pesquisa impressiona pela quantidade de gols na passagem pelo futebol holandês.
• interessantes as intervenções de arte digital sobre os 11 gols preferidos do craque.
• e, claro, quando o Baixinho abre a boca, não tem pra ninguém! Língua afiada, rancor com Parreira e Zagallo, revelações de bastidores e a marra de sempre.
É interessante constatar as diferentes fases do goleador:
• o início no Vasco foi de um Romário veloz, vários gols em arrancadas, driblando o goleiro e já naquela época os biquinhos no canto esquerdo do goleiro.
• na Holanda, deitou e rolou em zagueiros duros, além de abusar do oportunismo dentro da pequena área. Lá, batia pênaltis também.
• no Barcelona, a arte em pessoa. Gols de quem pensa rápido. Finalizações de primeira, chutes por cobertura surpreendendo goleiros, sempre colocado na cara do gol por Laudrup ou Stoichkov.
• no Flamengo, voltou a cobrar (muitos) pênaltis e se consagrou nas fracas defesas dos clubes cariocas. Mas, não deixou de balançar as redes contra os grandes, principalmente sobre seu rival preferido, o Corinthians. Teve lampejos de velocidade.
• a partir do retorno ao Vasco, em 2000, apurou o posicionamento na grande área, para compensar a menor explosão. Preferiu esperar a bola a ir de encontro a ela. Mas sabia exatamente onde ela viria...
Romário tem razão. Papai do Céu olhou pra ele e disse: 'Você é o cara!'. Só esqueceu de completar '... na grande área'.
Imagens: reprodução
28 de jan. de 2009
lucidez
"É importante olharem até pela questão da motivação dos jogadores brasileiros. Cada vez que convocam mais os caras de fora, aí é que todo mundo quer sair mesmo para chegar à seleção. Então, o trabalho que a gente está fazendo aqui não está valendo de nada para ser chamado."
Assino embaixo da opinião do volante do Cruzeiro, publicada no GloboEsporte.com
te cuida!

É inocente, até prove-se o contrário, mas o escândalo serve de alerta para que rumo Robinho quer dar a sua trajetória no futebol. Para quem sonhou ser o melhor jogador do mundo - essa chatice que faz parte da entrevista de todo moleque aspirante a futebolista - o cenário atual é de figurinha fácil em tablóide inglês. E quando esses carniceiros pegam no pé, prepare-se! O camisa 10 do City não terá mais sossego, a não ser que ande na linha.
De talento inegável, Robinho tem tempo para refletir e optar se quer ou não ser um bad boy - uma marra que também encanta, diga-se, mas o cara tem que estar pronto para as consequências. Romário sempre deu de ombros. Maradona também. Mas Robinho, perto deles, é engraxate.
27 de jan. de 2009
ah, dunga...

O rapaz está bem na Fiorentina? Ok. Mas é fácil citar uma meia dúzia de volantes/apoiadores melhores do que ele. Creio que Dunga ficou sem opção ao estabelecer que só convocaria jogadores que atuam na Europa. Mesmo assim, Lucas, do Liverpool, joga mais.
É por isso que penso que Conmebol e CBF deveriam respeitar as datas Fifa. Assim, fariam parte da lista, tranquilamente (digo, obrigatoriamente): Miranda, Juan, Hernanes e Ramires. Caberiam ainda o colorado Alex e o palmeirense Keirrison.
Parece invencionice, pois nos recorda que Daniel Carvalho, Dudu Cearense, Jô e Afonso Alves também compuseram o elenco da Seleção desde que Dunga assumiu.
Mas, Felipe Melo não tem nada com isso. Parabéns e boa sorte a ele...
Arte sobre foto reproduzida de GloboEsporte.com (EFE)
26 de jan. de 2009
hoje é segunda-feira
24 de jan. de 2009
fanfarrões
A pequena sigla acima quer dizer Federação Internacional de História e Estatística do Futebol. Um grupo de abnegados que se debruçam sobre números e fazem um ranking atrás do outro. E a imprensa do mundo inteiro os repercute. Dê uma entrada no site e conclua por si mesmo.
É uma lista pior que a outra. Invencionices com números, muitas regrinhas - e olha que eu gosto de números. A mais recente, de ontem, 23/1, reúne os melhores clubes desde 1991. O melhor brasileiro, o São Paulo, está em 17º. Como o Brasileirão é equilibrado e classifica clubes diferentes para a Libertadores todos os anos, complica a posição dos brazucas, já que o desempenho em torneio continental pesam muito nesse ranking.
No ranking de artilheiros de todos os tempos, considerando apenas competições oficiais (o que elimina nossos tradicionais Estaduais, por exemplo), Pelé tem apenas 541 gols. A lista vai até quem tem 200 - Túlio Maravilha está fora, mas tem número superior a esse somente contabilizando as três divisões do Campeonato Brasileiro.
Enfim, passe.
23 de jan. de 2009
time imaginário: atacantes

Na verdade, muito mais. O número acima (exatos 616, segundo o Futpedia) é a soma dos gols dos jogadores deste time imaginário na história do Brasileirão (até a edição 2008, claro). Adotei como critério os que vi jogar. E escalei no 4-3-3 para fazer justiça a uma equipe de atacantes. Acho que daria jogo, pois a dupla de zaga ficou f... Confira!
ROGÉRIO CENI (G): ele, que já é meu camisa 1 coringa para esta seção, aqui entra com propriedade, pois é o maior goleiro-artilheiro da história.
CARLINHOS BALA (LD): jogou assim algumas partidas da última temporada, além de ter fôlego para ir e voltar.
ALOÍSIO (Z): seu porte físico e a fama de trombador garantem a ele a camisa 3 com folga.
FERNANDÃO (Z): para a zaga não ficar muito pesada, sua classe garante boa saída de bola - e ninguém ganha no jogo aéreo!
OTACÍLIO NETO (LE): incansável, ajudaria Mano Menezes tranquilamente jogando de ala num hipotético 3-5-2 corintiano.
ROBINHO (V): nunca vi um atacante tão bom como ladrão de bolas quanto ele. E segue a moda atual do volante leve e habilidoso. No melhor estilo Ramires.
MULLER (M): visão de jogo, passe perfeito, assistências precisas. Seria um meia-direita sensacional.
BEBETO (M): bom lançador, assistente idem e com ótima finalização de fora da área, veste a 10 com folga. Atuou assim no início da carreira.
MARCELINHO (PD): cruzamentos certeiros se multiplicam com este camisa 7 - o moleque veloz que surgiu no Flamengo, não o atual jogador do Santo André...
ROMÁRIO (C): dispensa justificativa. Cruyff disse tudo ao chamá-lo de gênio da grande área.
SÁVIO (PE): foi o último ponta-esquerda do futebol brasileiro que me recordo. Arrebentou entre 1994 e 1997, depois aprendeu a ser burocrático no Real Madrid.
Quer sugerir um time imaginário? Fique à vontade.
rodízio
Muricy Ramalho e Mano Menezes já avizaram que não existe time titular. À medida que uns cansarem ou um jogo mais estratégico se aproximar, outros entrarão na equipe. O São Paulo já será, na segunda rodada do Paulistão, diferente da estreia contra o Ituano.
O Corinthians já está com aquela escalação da ponta da língua, mas não dá para imaginar que Fabinho e Morais (este quando acabar a suspensão) terão poucas oportunidades. E Ronaldo Fenômeno deverá atuar jogo sim, outro não. Assim, Souza será sempre acionado.
Na Europa, com elencos inchados e globalizados, a prática é normal, até porque não faz sentido gastar tanto por um jogador para não utilizá-lo. É quase impossível uma escalação se repetir por lá. Com a folga que a crise econômica nos deu e os times mais fortes, dá para contar com o banco.
22 de jan. de 2009
bastidores

21 de jan. de 2009
está melhor
20 de jan. de 2009
olho nele

Entre eles, meu maior entusiasmo é para ver Keirrison. Com respeito à grandeza do Coritiba, esta é a prova de fogo do moleque, aturar a cornetaria do Parque Antarctica e a imprensa paulista, sempre caçando "porquês". Classudo, finaliza com frieza, de chapa, e parece sempre farejar o melhor lugar na grande área para atrair a bola e conduzi-la à rede. A dúvida é se Diego Souza e Cleiton Xavier serão capazes de servi-lo. Porque as laterais ainda são uma incógnita, com o improvisado Sandro Silva na direita e o ainda desconhecido Pablo Armero do outro lado. Se a jogada chegar redonda no camisa 9, é só abraçar.
Foto: divulgação
19 de jan. de 2009
novo uniforme do são paulo
Conforme havia deduzido num post sobre os uniformes da Reebok, depois de três temporadas a fornecedora mudou a tipologia do número que leva às costas da camisa dos times. A pista foi o "6-3-3" da camiseta comemorativa do hexa tricolor. A novidade foi revelada na apresentação dos novos uniformes do São Paulo nesta segunda.
Reprodução GloboEsporte.com

Número novo, mas com mesma falta de preocupação com a legibilidade. Atenção para o autógrafo: o reserva Bosco também tem camisa exclusiva
Fotos: reprodução Terra (Marcelo Pereira)

A camisa de Rogério (há outra vermelha): no detalhe, os nomes também mudam - agora são em caixa baixa (minúsculas)

Dagoberto, Miranda e Washington: O manto tricolor ficou mais discreto, mas o destaque fica para a terceira camisa, que faz alusão a modelo usado na década de 60. Ao contrário de outros clubes, o São Paulo não costuma usar a roupa especial em jogos, apenas disponibiliza aos torcedores
grana
17 de jan. de 2009
valeu, tatá!
Eu poderia falar dos dois gols de Jorge Henrique, do uniforme arrendado do Corinthians, da peneira que estava a zaga do Estudiantes ou mesmo da participação do Fenômeno na transmissão da Globo. Mas meu destaque é o gol de Otacílio Neto. Enquanto sorria feliz e agradecia a Deus, deve ter se lembrando de toda sua luta para chegar a esse momento, o maior de sua carreira.

Quantos jogadores fariam isso? Otacílio merece vencer no futebol. Merece ter sucesso. É humilde. Quando foi tratar o joelho operado no Palmeiras, preferiu hospedar-se na casa de uma tia na periferia de São Paulo a gastar seu suado dinheiro em um hotel.
Parabéns, Tatá. Que seja o primeiro de muitos gols com a camisa do Corinthians. A torcida do Norusca já conhece a sua raça. Os alvinegros logo aplaudirão.
* Cangaceiro é o apelido popularizado pelo locutor e amigo Rafael Antônio em suas transmissões.
(Foto: reprodução IG Esporte)
16 de jan. de 2009
nas bancas



luto

Em tempos de elencoss de aluguel nos clubes de menor expressão, eis que um gringo joga há anos no mesmo clube e faz mais de cem gols. A torcida xavante tinha um herói pra chamar de seu. Poucos torcedores no interior do país têm um ídolo desse porte. Meu Noroeste, por exemplo, incha o elenco a cada semestre. É um entra e sai sem freios.
Não consigo mensurar a tristeza dos pelotenses por perderem seu maior jogador. Especula-se, agora, o afastamento do Brasil do Campeonato Gaúcho, sem rebaixamento.
Foto: reprodução
top 11
1 A novela palestrina do atacante Kléber
2 A novela palestrina do atacante Keirrison
3 O brainstorm de pautas vagas sobre Ronaldo Fenômeno
4 A voracidade do Manchester City em querer provar que tem grana
5 O vai-não-vai de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid
6 A molecada mascarada da Copa São Paulo
7 A demora na negociação Lecce-Internacional pelo volante Edinho
8 A (injusta) pressão sobre o cargo de Felipão no Chelsea
9 A indefinição sobre a venda da equipe Honda de Fórmula 1
10 As trocentas mudanças na tabela do Estadual do Rio
11 A espera pelo início da maioria dos campeonatos. Ô saudade da bola brazuca!
15 de jan. de 2009
"booooooa!!!"

Destaque para as laterais: pela direita, Mateus - o homem da bola parada - e Radar na esquerda. Ficaram também os volantes Machado (o Guerreiro) e Olivio e o atacante Didi. A torcida pode comemorar o retorno do meia Pachola, destaque no Mineiro, e do atacante Rodrigo Hote, que acaba de ser campeão da Copa Paulista pelo Atlético Sorocaba. Washington Júnior (foto) é reforço com pedigree: é filho de Washington, parceiro de Assis no famoso 'Casal 20' de Atlético-PR e Fluminense na década de 80.

O clube não é mais zebra em Minas. Ganhou respeito. Os rivais Uberlândia e Uberaba é quem têm que correr atrás do prestígio perdido. Repetir a vaga nas semifinais é possível - aí, é rezar para não pegar Cruzeiro ou Atlético logo de cara e chegar a uma inédita final. Já pensou, Pablo?
Foto: reprodução Furacão.com
13 de jan. de 2009
fifa gala 2008
Não havia postado comentário sobre a festa da Fifa para os melhores de 2008. Nem precisava. Novidade zero. Marta é Pelé de saias, ganhará todas enquanto quiser - e puder. Cristiano Ronaldo fez barba, cabelo e bigode pelo Manchester United - campeão e goleador dos principais campeonatos.
Surpreendeu o fairplay na homenagem aos palestinos, sabendo que Israel tem influência política também no futebol. Esteja certo de que não foi em vão. No mínimo, cativou dirigentes para a próxima eleição da casa.
Leia Como Eles Roubaram o Jogo (David Yallop, Editora Record) e verá que a Fifa se resume a um bando de engravatados - e seus charutos - que nunca chutaram uma bola e tampouco se interessam pelo movimento dela nos estádios.
12 de jan. de 2009
estaduais 2009

"Nossa discordância [entre ele e Juca] é brutal. Já brigamos na televisão, inclusive ao vivo, várias vezes. O Juca defende uma tese que é exatamente oposta a isso [referindo-se ao meu argumento]e eu estou do outro lado. Talvez por ser torcedor do América [do Rio, hoje na Segunda Divisão] e entender bem esse tipo de problema que você falou, como torcedor do Noroeste. Eu acho que o campeonato estadual é nossa paixão primeira. É mais importante ver meu time ganhando do adversário local. Um amigo meu diz que se acabar o campeonato estadual, acaba a segunda-feira. Porque a graça da segunda para o corintiano, o são-paulino e palmeirense é passar pelo adversário no seu local de trabalho e poder tirar sarro daquele cara. Brincar com aquela pessoa.
"Com essas teses de acabar com os Estaduais, o times pequenos vão acabar. No fundo, o Juca e quem mais defende o calendário sem o Estadual querem assassinar esses times. O Juca quer matar o Ameriquinha! O Juca quer fuzilar o Noroeste! Eles querem que permaneça quem tem competência, quem for grande. Mas que grande é esse que tem competência? Corinthians tem competência? [risos - à época, havia o imbróglio com a MSI]
"Então, eu acho que os campeonatos estaduais têm que continuar, são a paixão principal. É a chance de ver de perto os times da capital. E vou brigar com quem é contra essa idéia, porque não quero ver o meu time morto, porque se não houver os Estaduais, vários times vão desaparecer.
Foto: reprodução site ESPN Brasil
times-base 2009
Na coluna ao lado, tirei os parênteses e escalei os prováveis times-base que iniciarão os Estaduais. Não tem Ronaldo no Corinthians, entrando em forma, nem o cruzeirense Fabrício, recém-operado, por exemplo. São os titulares dos primeios coletivos da temporada. Quando o reforço chegará para assumir a condição de titular, já entra na escalação, como o novo rubronegro Zé Roberto.
11 de jan. de 2009
futebol 2009
Os times estão assinando os últimos reforços. O futebol profissional de 2009 já começou, com a estréia do Pernambucano. Sorte nossa, as quartas-feiras e domingos voltarão ao normal. Azar de quem vai de novo ver o Big Brother Brasil invadir o Show do Intervalo...
Quem será o bicho-papão do ano?
No melhor estilo chutão, acho que o Flamengo leva o tri no Rio, o Corinthians ganha o Paulistão, o Inter será campeão gaúcho e o Cruzeiro fatura mais um em Minas.
A Copa do Brasil será difícil arriscar, tem oito grandes na disputa. Timão, Mengo e Colorado partem na frente. E na Libertadores, o São Paulo é nome certo nas cabeças.
Arrisca um palpite?
9 de jan. de 2009
craque 90: bebeto
Quando surgiu no Flamengo, em 1983, o Galinho estava de saída para a Udinese e logo vieram com o papo de 'Novo Zico'. Bebeto cumpriria bem a função de meia de ligação, por sua habilidade, mas estar mais perto do gol funcionou melhor para o ótimo finalizador que era. Vestiu a camisa 9 do Rubronegro até a final do Carioca de 1989, quando foi comprado pelo arquirrival Vasco. De cara, faturou o Brasileirão com os cruzmaltinos - o terceiro de sua carreira (1983 e 1987 pelo Fla). No mesmo ano, foi artilheiro da Copa América, dado ofuscado pelo gol de Romário, o do título, na final contra o Uruguai.
Aliás, estar à sombra do 'Gênio da grande área' foi a função que o consagrou - sem nenhum demérito. Enquanto um era marrento, bad boy, o bom moço da camisa 7 amarelinha era o par perfeito, Oscar de melhor coadjuvante. Recordo-me tanto de juras de amor quanto de alguns desentendimentos entre eles. Agora, ambos aposentados, o respeito é recíproco.

Descrever a vitoriosa carreira de Bebeto é desnecessário aqui. Vale a lembrança, a homenagem. Resumindo, a história do Deportivo La Coruña se define entre antes e depois dele. No Flamengo, foram 151 gols. No Vasco, outros tantos. No Vitória, um Estadual e um Nordestão. No Botafogo, um Rio-São Paulo. Pela Seleção, além da Copa América e do Tetra (1994), a Copa das Confederações (1997). Jogou a Copa de 1998 também (sua terceira seguida) e soma seis gols em Mundiais.
Como todo apaixonado por futebol, coleciono ídolos, além do meu top 3 (já contei dia desses: Neto, Romário e Ronaldinho, nessa ordem). Bebeto chefia o segundo escalão com Zico, pouquíssimas passadas atrás.
Fotos: reprodução Flapedia